Fé e Vida


30/09/2016


Sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Lc 10 13-16

 

1. O texto de hoje é continuação da missão dos setenta e dois discípulos enviados por Jesus. O olhar agora se volta para algumas cidades costeiras do mar da Galileia: Cafarnaum, Corazin e Betsaida. Certamente, tais cidades receberam a presença dos discípulos, milagres ali foram realizados, o Reino de Deus foi proclamado, mas os corações não foram amolecidos, os ouvidos não se abriram à Palavra de Deus e a mentalidade continuou fixa na lógica do mundo. Esse é o mesmo problema dos nossos tempos. Nossas cidades cresceram, mas também com elas cresceram a desordem, a violência, as facilidades de locomoção, o incentivo à vida fácil, à prostituição, à desvalorização do corpo; aumentaram as oportunidades de diversões, de lazer e de realização material. Se falamos de Recife, por exemplo, temos belas praias, grandes e belos shoppings, excelentes cinemas, pontos históricos fantásticos, mirantes fabulosos, ilhas, etc. Com isso, muitas vezes, a ida à igreja fica em segundo lugar, a Palavra de Deus, para alguns momentos, a santa missa só quando alguém morre ou no final do ano, e quando acontece!

 

2. Jesus fala como profeta, sendo mais preciso e direto ao proclamar uma palavra definitiva para essas cidades. Ele faz um apelo urgente à conversão. É um fato que não existe salvação sem mudança de vida, mudança de mentalidade, sem entrega de si mesmo a Deus. A indiferença das cidades causará sua própria destruição tanto física quanto eterna. Deus é o Deus misericordioso, mas não salvará os que o rejeitarem, porque a salvação requer duas coisas: a iniciativa dele mesmo e a nossa resposta. Quanto à sua iniciativa, Ele vem ao nosso encontro, nos assume, sofre por nós, dá sua vida por nós, ressuscita, a fim de que também nós ressuscitemos, é glorificado na sua humanidade, a fim de que nós sejamos glorificados do mesmo jeito. Já a nossa resposta significa abrir-se totalmente ao seu convite, rasgar o coração velho, mudar nossa vida segundo sua vontade, tê-lo como nosso único tesouro. Isso não quer dizer não passear, não ir a um shopping ou mesmo a uma praia, ou ao cinema, a um parque histórico ou de diversão, etc., mas colocar essas coisas no âmbito de um bem pessoal em vista do bem maior. Deus não pode nem ser comparado nem com pessoas nem com bens materiais. Ele é exclusivo. Ele nem é segundo plano, nem primeiro, nem último. Ele é o Tudo, a razão absoluta da nossa existência, Ele é o incomparável, imensurável. Ele é a Verdade, a Vida, o Amor.

 

3. As cidades que rejeitarem os discípulos, rejeitarão também Jesus Cristo, que, uma vez rejeitado, indica rejeição ao Pai, que o enviou. Ou seja, desprezar um discípulo é desprezar Deus mesmo que o enviou em missão salvífica. Por isso, ai daquele que fizer pouco caso de um discípulo de Jesus. O juízo será inevitavelmente duro para aqueles que assim procedem. O inferno não é finalidade para ninguém. Só existe uma finalidade para a criação: Deus mesmo. O inferno é a possibilidade real para quem não se abre, de forma alguma, à ação do Espírito de Deus; para quem não quer saber da Palavra de Deus; para aqueles que rejeitam Jesus Cristo, que é a única possibilidade de salvação: "Ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14,6).

 

Um forte e carinhoso abraço.

 

Pe. José Erinaldo

Escrito por Pe. José Erinaldo às 09h27
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28/09/2016


Quarta-feira, 28 de setembro de 2016


Lc 9,57-62



1. O texto acima mostra o longo e difícil caminho de Jesus até Jerusalém. Ele sai da Galileia, escolhendo Seus discípulos, preparando-os, fazendo o bem a todos, mas nem sempre sendo compreendido. Alguns até querem ficar com Ele, mas encontram ainda empecilhos financeiros, pessoais e familiares. Alguns se privam da verdade pela facilidade de se ter uma vida nos prazeres oferecidos pelo mundo dos negócios, do próprio instinto e do colo familiar.


Três casos importantes para se pensar bem no seguimento de Jesus 



2. "Eu te seguirei para onde quer que fores". Colocar-se no seguimento de alguém significa tornar seus o sonho, o pensamento e a condição de vida do outro; significa abandonar tudo aquilo que não está de acordo com a nova realidade. É, de certa forma, um anular-se. Depois, ir aonde o outro vai, diz respeito a um total desapego de si, do mundo e das pessoas por algum objetivo. "Ir a qualquer lugar" é não ter estabilidade física, lugar fixo para descanso, estruturas humanas a seu favor, enfim, nada a que se apegar. Jesus viveu assim: sem seguranças, alianças partidárias, pobreza, mas com horizonte, pureza de coração, liberdade, verdade, amor e paz. Seguir Jesus Cristo significa dar o maior passo na liberdade dos filhos de Deus. Em suma, é uma desapegar-se de tudo e não ter nenhuma falsa segurança, pois somente em Deus encontrar-se a Fortaleza.



3. "Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai. Jesus responde: deixa que os mortos enterrem seus mortos”. Trata-se de um dito popular, que significa abandonar as coisas do passado e andar na direção do futuro de Deus. Além disso, Jesus anuncia que seu discípulo deve ser capaz de superar a piedade familiar. Certamente é importante, no caso de um enterro, fazê-lo com toda dignidade, respeitando aquele ser humano no seu último momento com a família, pelo menos no que se trata de sua materialidade. O povo judeu estava até dispensado de algumas funções para poder cuidar de seus mortos. Jesus propõe algo mais, algo novo, para além de uma preocupação piedosa. Ele ensina a ressurreição. A morte não é o fim. Muitos se desesperam, na morte, dando a impressão de que tudo se acabou, sinalizando uma tremenda falta de fé, de conhecimento da vitória sobre a morte e do futuro do ser humano na comunhão com Deus. O discípulo deve preocupar-se com a vitória sobre a morte, ressuscitando dos mortos para viver a vida de Deus. Daí porque o discípulo deve se preocupar muito mais em salvar aqueles que estão morrendo no pecado. O mais importante é o anúncio do Reino de Deus com palavras e testemunhos. 



4. "Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus". Ao colocar-se à disposição da vontade de Deus no seguimento de Jesus, o discípulo deve ser incondicional e ter um coração indiviso, a fim de proclamar decididamente e com clareza o Reino de Deus. O discípulo deve ser todo de Cristo e todo para a missão evangelizadora; ele deve romper com o passado e começar um novo tempo em sua vida. Não serve tentar viver o presente de Cristo, mas com saudade do passado. Não é possível vislumbrar o novo horizonte salvífico e o passado ao mesmo tempo. Eliseu, quando chamado por Elias, queria despedir-se de seus pais, foi permitido (1Rs 19,19-21), mas Jesus radicaliza a resposta. Foi avisado a mulher de Lot que não olhasse para trás, ela desobedeceu e transformou-se numa estátua de sal (Gn 19,26). Esse olhar pra trás é sinal de quem ainda não se converteu verdadeiramente; de quem ainda não se convenceu da Nova e Eterna Aliança; daquele ou daquela que não superou ainda sua aliança com o "homem velho".



Resumindo: 1. Não apegar-se aos bens materiais; 2. Não apegar-se a si próprio e aos prazeres do passado; 3. Romper com todo tipo de laço familiar que impede uma entrega total ao Reino de Deus. 



Um forte e carinhoso abraço.



 

Pe. José Erinaldo


Escrito por Pe. José Erinaldo às 08h09
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27/09/2016


Terça-feira, 27 de setembro de 2016


Lc 9,51-56


1. Chegou o momento decisivo da salvação, o momento pascal da glorificação de Jesus Cristo. Completadas suas atividades e missão evangelizadora, agora Jesus deve seguir rumo à Jerusalém, lugar dos profetas e do cumprimento de tudo o que devia fazer. Jerusalém não é somente cidade geográfica, mas, especialmente, a cidade celeste, a meta para todos. 


2. A missão de Jesus chega a uma conclusão mediante o sofrimento, rejeição, traição, humilhação e morte. Dessa forma, o evangelista vê a glorificação de Jesus (Lc 24,26), que sabia que isso tudo iria acontecer, inclusive preparou seus discípulos para esse momento (cf. Mt 16,21). Jesus estava consciente de que sua ação era obra divina para a salvação de todos. 


3. Ele “endureceu Sua face” (εστηρισεν), isto é, tomou a firme decisão (...). Em outras palavras, Ele se lançou totalmente nas mãos do Pai, a fim de que sua obra fosse realizada completamente, pois o tempo de Deus tinha chegado. Ele que sempre foi todo do Pai, não mediu esforços para se entregar absolutamente. Sua decisão encontrou barreiras na Samaria, em Jerusalém e, antes, rejeitado pelos da própria família. É como se essas rejeições fossem uma preparação para a rejeição até a cruz. Ele que veio para acolher, salvando, foi rejeitado como um "bandido", um "malfeitor", uma "desgraça". Não foi acolhido por aqueles que ele estava acolhendo; ele que não necessitava e trazia o alimento salvífico, foi desprezado pelos famintos de sua graça. Não temer o sofrimento e a cruz é o primeiro sinal de uma vocação, de um verdadeiro chamado de Deus. Decidir-se por Deus é, na verdade, está consciente do tesouro infinito que abraça e da insignificância do que o mundo representa. 


4. Diante da rejeição, os discípulos queriam agir com a lógica do poder, a partir da ideia de um messias contrário ao que estava no coração de Jesus, que veio ser o Messias Servo, não o do poder, da dominação, do prestígio e do sucesso; quiseram agir como fanáticos de uma ideia passada rejeitada pelo Mestre. Certamente, a rejeição dos samaritanos estava vinculada à possibilidade de Jesus, indo a Jerusalém, manter a lógica dos líderes de Israel. É importante lembrar que quando Jesus explicou à Samaritana o verdadeiro culto em "espírito e em verdade", houve total acolhida a Ele. De qualquer modo, a glória passa pela cruz, pela dor, pela morte. Quem teme a rejeição e a solidão ainda não entendeu o que significa ser um discípulo de Cristo (Bento XVI). Agir como discípulo significa antes de tudo ter paciência quanto ao tempo do outro. É difícil, mas Deus sabe a hora exata de cada um. Não significa, porém, não agir, mas, sem medo semear, cuidar e deixar que Deus colha. A alegria do discípulo é aquela de quem semeia na alegria de uma futura e excelente colheita.


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo

Escrito por Pe. José Erinaldo às 09h37
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26/09/2016


 

Segunda-feira, 26 de setembro de 2016

 

Lc 9,46-50


1. Um discípulo autêntico não usa a palavra "maior" nem nas suas abordagens nem no seu interesse quanto ao seu futuro. Assim sonham os poderosos desse mundo, ou mesmo os que têm sonhos de dominação. Quem ainda pensa em ser maior está totalmente envolvido com a lógica do jogo de poder do mundo. Certamente, não era esse o interesse do Mestre, Jesus Cristo. A lógica do discípulo é aquela mesma do seu Mestre: o poder como serviço, como caridade, como DOM, a fim de que todos sejam favorecidos nos bens e na graça de Deus. Então, um verdadeiro discípulo é aquele pensa sempre em descobrir a melhor forma de ser melhor no bem que deve fazer. Ele se faz um pequenino de Deus, a fim de que somente Deus mesmo reine, apareça e derrame suas graças para a humanidade. 


2. Além disso, acolher uma criança em nome de Jesus, é o mesmo que colocar-se inteiramente disponível à vontade do Mestre no serviço à humanidade. Os pais não fazem valer sua condição de adultos, apelando para serem vistos como tais pelos filhos. Pelo contrario, nem se lembram que são adultos e se lançam para os filhos, gastando a própria vida, combatendo contra tudo aquilo que os impede de ser felizes. Os pais acolhem os filhos, dando a vida por elas. Assim deve ser cada discípulo. A exemplo do Mestre, os discípulos devem ter uma atitude não de quem busca a si mesmo, o poder, a honra mundana, mas a de quem faz o bem, de quem se doa e tem alegria no que faz, mesmo que haja sofrimento. Pensando como Paulo, o discípulo não deve temer uma vida crucificada. O mais importante é saber que aquilo a ser feito é obra de salvação para o outro. 


3. Como um pequenino, a preocupação do discípulo é ser todo segundo o Mestre, que era todo para o Pai e todo para a humanidade. Sua preocupação com o Reino de Deus o coloca sempre na posição de quem não despreza o menor gesto possível de fé daqueles que mesmo estando distantes professam o nome de Jesus. Nesse caso, o discípulo entende que quem proclama seriamente o Nome de Jesus tem, de certo modo, alguma comunhão com Ele, desde que não o faça por segundas intenções. Aqui não se trata do jogo sujo de muitas seitas existentes, mas de quem realmente, até mesmo por ignorância por causa de uma má formação, usa o Nome de Jesus para fazer o bem. Ve-se aqui um ambiente para se desenvolver um correto apostolado mediante a presença de um discípulo de Cristo, que, com humildade, não apaga a chama que ainda fumega, mas, pelo contrário, tenta torná-la ainda mais viva. 


4. Hoje, mais do que nunca, necessitamos mergulhar mais na intimidade de Jesus Cristo, ser mais seus amigos, autênticos discípulos, amigos do bem, conscientes da nossa condição de pertença à Luz, da nossa vida na contra-mão de um mundo que apodrece nas trevas do erro, da ignorância da fé e no desprezo à dignidade do semelhante, de um mundo que se abisma no fosso da ilusão do poder, do prazer e da riqueza. Como discípulos, corramos, imediatamente, ao encontro do nosso Mestre, que nos faz ser crianças na simplicidade da vida, mas também luzeiros na proclamação do bem e no reconhecimento da verdade em qualquer lugar onde ela se encontre.


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo


Escrito por Pe. José Erinaldo às 09h08
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24/09/2016


XXVI Domingo do Tempo Comum, 25 de setembro de 2016


Lc 16,19-31


1. Havia um homem rico. Esse rico não tem nome, pode ser um qualquer entre os tantos poderosos do mundo ou todos eles. Viviam no esbanjamento de suas riquezes em busca da satisfação do seu prazer. Havia, por outro lado, um pobre, mas este tem nome e um belo nome "Lázaro": o Senhor ajuda. Enquanto os ricos têm nome, posição social, status, entre outras coisas, o pobre é um desconhecido, desvalorizado, desprezado, sem nada, mas diante de Jesus tem um nome; é conhecido, valorizado e elevado. Somente a quem se dá atenção memoriza-se o nome.


2. O homem rico, sem nome, é condenado por ser rico (contexto lucano), isolado da realidade gritante do mundo e indiferente a ela e sem interesse de partilhar seus bens para o bem dos necessitados. A esse, diz o profeta Amós: “Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; os que cantam ao som das harpas, ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais; os que bebem vinho em taças, e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José” (6,1a.4-7). E o que lhe acontecerá? Continua o profeta: “Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito” (6,7).


3. A igualdade e o bem-estar de todos não passam pela cabeça desse tipo. A oposição ricos e pobres é inaceitável para Jesus, porque fere o plano de Deus. É urgente mudar essa mentalidade. Ricos e pobres (com espírito de ricos) devem descobrir a importância do ser humano, sua dignidade e sua finalidade. Devem se tornar antes homens e mulheres conscientes de sua filiação para com Deus. Todos fazem parte da mesma humanidade e da mesma vocação à santidade. Como filhos de Deus, todos devem lutar pela fraternidade e se tornarem verdadeiros irmãos, sendo um para o outro um dom de Deus e partilhando os dons concedidos pelo mesmo Deus para o bem de todos. Todos deve, segundo São Paulo, homens de Deus, distantes de coisas perversas, procurando a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza e a mansidão. Devem viver num combate constante o bom combate da fé, a fim de conquistar a vida eterna, para a qual foram chamados. E quanto àqueles que já pertencem a fé crista, devem viver pela fé professada diantes de muitas testemunhas (cf. 1Tm 6,11-16) e sendo também testemunha para o bem de todos.


4. A humanidade não pode ser transformada à força de prodígios, milagres, "espetáculos" espirituais, fantasias e efeitos cosmicos. A verdadeira mundança só será possível quando todos se abrirem à Palavra de Deus. Escutarem Moisés e os Profetas quer dizer seguirem a Sagrada Escritura, seguirem a Lei de Deus. Até hoje, mesmo com a Ressurreição de Jesus Cristo, muitos ainda continuam na mesma vida de pecado, desrespeitando a si próprios e aos outros, explorando os mais fracos e se vendendo aos mais poderosos; muitos continuam indiferentes a Deus e aos seus ensinamentos. É necessário ter um verdadeiro encontro com a Palavra de Deus para poderem mudar de vida. O homem enquanto não descobrir o Verbo feito Carne continuará na ilusão de suas fantasias achando que na fantasia vivem todos os discípulos de Cristo. 


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo

Escrito por Pe. José Erinaldo às 09h13
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Sábado, 24 de setembro de 2016


Lc 9,43b-45


1. A novidade desperta sempre a curiosidade. Certamente, alguns se deixam conduzir pelo novo; outros se satisfazem, mas ficam nisso mesmo; outros ainda, alegram-se, mas apenas a concebem como mais um evento na história; outros, enfim, não lhe dão nenhum valor. A verdade é que, no caso de Jesus, mediante suas palavras de sabedoria, os milagres por Ele realizados, seu modo humano e divino de atender as pessoas, sua autoridade no ensinamento, e sua própria pessoa, encantava a quem dele se aproximava. Nele, os anseios de Israel encontraram a concretização do futuro esperado. De fato, Ele era aquele para o qual a promessa conduzia.


2. Num segundo momento, Jesus anuncia a Paixão. Mais uma vez Jesus toca nesse assunto de morte e isso desconcerta os que são apegados às novidades do poder, do nome, da fama, do sucesso. Morrer é sinal de fraqueza, derrota, fim de uma esperança. Se muitos estavam vendo em Jesus a realização da promessa do Antigo Testamento, então vê-lo agora dizendo que vai se entregar à morte é concebido como traição, uma vez que eles acreditaram num Jesus glorioso, triunfalista, poderoso, capaz de combater contra o imperador romano e expulsar toda seu domínio em Isral; seria Ele o senhor do mundo conhecido, tornaria Israel um império jamais visto e incapaz de ser destruído. Afirmar que vai morrer é o mesmo que dizer que não é nada, que não passa de um fracassado. De fato, nem os seus discípulos entendiam, pois partilhavam das mesmas ideias do seu tempo. Um forte sinal disso é Judas Iscariotes, que por causa de seu objetivo, nunca se converteu a Jesus, nunca mudou de opinião e lutava sempre em favor da revelação de um Messias político, poderoso e triunfalista. Na verdade, de modo especial os discípulos, caberia a eles fazer a ligação entre Dn 7,13 (de onde se pode tirar uma imagem de Jesus como transcendente e celestial) e Is 53,8 (Jesus como "Servo"). As duas imagens estão inseridas até mesmo na realidade histórica de Jesus: uma de modo visível, outra pelos sinais. 


3. Somente à luz do Espírito Santo, depois da Ressurreição de Jesus, os discípulos foram capazes de compreender o significado de Jesus Servo e, ao mesmo tempo, ser celestial, mais precisamente SENHOR. A experiência que eles tiveram com Jesus foi muito forte, de tal modo que, mesmo sendo covardes diante da cruz, com a ressurreição, desistiram de suas "vidinhas" e voltaram para o Mestre e se lançaram absolutamente em sua missão, sem medo da cruz, da perseguição e de tudo o que lhes poderia acontecer. Entenderam que antes de chegar à glória, necessitam passar pela cruz, que não existe ressurreição sem paixão, sem dor. Talvez hoje muitos queiram a glória antes do sofrimento, da luta constante, mas isso é só fantasia, ilusão de quem ainda não encontrou a verdade e não está preocupado com o bem de fato. Para se chegar ao topo de uma montanha é necessário escalá-la. Coragem, essa é a palavra para quem quer vencer; esperança, a palavra de quem quer continuar. 


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo

Escrito por Pe. José Erinaldo às 08h35
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23/09/2016


Sexta-feira, 23 de setembro de 2016


Lc 9,18-22


1. Fico imaginando o momento de oração de Jesus com seus discípulos. Sendo Ele Deus em oração, e os discípulos ali ao seu lado também chamando a Deus de Pai e recebendo o mesmo exemplo de como se colocar numa atitude oracional. Lucas faz questão de frisar que essa oração é num lugar retirado, um lugar à parte. É o que fazemos aos domingos: todos juntos no Templo sagrado para celebrar a Eucaristia. Ali o sacerdote e o povo, ao redor do altar da eucaristia e da palavra, juntos em oração, louvando, adorando e bendizendo ao Senhor da vida. Como discípulos, não somente dirigimos preces ao Senhor, mas também alimentamo-nos dele: pela Palavra e pela Eucaristia. Que momento eterno! Vivemos ali o mistério da morte e ressurreição do Senhor. 


2. "E vós, quem dizeis que eu sou?". Jesus não quer saber de uma definição científica sobre Ele, não quer conceitos sobre sua pessoa. O que LHE interessa é a adesão dos Seus discípulos a Ele e à sua obra. O conhecimento por si só não diz nada, não eleva ninguém. Muitas vezes serve somente para enganar quem conhece na ilusão de um universo de orgulho e auto-suficiência. Não é esse tipo de conhecimento que serve na descoberta de Jesus. Aqui trata-se de uma experiência na intimidade de uma vida de encontro, de abertura à ação de Deus e de fé. Os apóstolos viviam com Jesus, escutavam-NO, aprendiam DELE, viam Seus milagres e experimentavam Sua ação misericordiosa. A vida de Jesus com eles era a mais perfeita escola de vida e fé. Então, confirmar o que dizem sobre ELE não significa nada, pois o que dizem não condiz com a realidade mesma do Mestre. O conhecimento da realidade de Jesus exige experiência pessoal e entrega de si mesmo, renúncia da mentalidade mundana e acolhida da lógica de Deus. 


3. Em Mt, Pedro diz: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". Em Lc, diz somente “o Cristo de Deus”. Tanto num texto quanto no outro, Pedro diz a verdade sobre o Mestre, mas desconhece a profundidade dessa afirmação. De fato, ela foi professada por inspiração de Deus. Pedro não imaginava Jesus como Messias segundo o pensamento de Deus, mas segundo a mentalidade dos judeus. Mesmo assim, Jesus respeita sua afirmação. No final do texto de Mt, diferentemente de Lc, acrescenta, apesar do sucesso na resposta, um Pedro ainda desconhecedor do projeto de Deus no momento em que Jesus disse que iria sofrer muito e morrer por parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, mas que ressuscitaria no terceiro dia. Pedro, se manifesta e, mais uma vez, demonstra desconhecer o tipo de Messias que era Jesus. Nas duas colocações de Pedro, apresenta-se uma tremenda ignorância sobre a Pessoa e missão do Salvador. Por sua vez, Jesus não desiste da missão que deseja realizar através dele: "... tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la" ( Mt 16,18, Lc 22,31-32; Jo 21,15-17). 


4. Somente depois da ressurreição, os discípulos vão entender o significado da expressão: "Cristo de Deus". Contemplando os mistérios da encarnação, da morte e ressurreição de Jesus, mediante a ação do Espírito Santo, os discípulos entenderam que a missão de Servo de Jesus foi toda ela oblatividade, entrega de si mesmo, e essa, necessariamente, deveria ser a missão deles também, e, de modo geral, de toda a Igreja. O corpo segue sua cabeça ao mesmo tempo, na mesma direção e mesma situação. A missão da cabeça e o modo de realizá-la pertence necessariamente ao corpo. A Igreja deve ser ela também Serva, toda entregue, como instrumento legítimo do Senhor, para a salvação do mundo: “Pois quem quiser slalvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará” (Lc 9,24)”. 


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo

Escrito por Pe. José Erinaldo às 01h07
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22/09/2016


Quinta-feira, 22 de setembro de 2016


Lc 9,7-9


1. Com esse texto, Lc está preparando o encontro de Jesus com Herodes, mas, ao mesmo tempo, frisando a mais importante pergunta que precisamos responder hoje: quem é Jesus? Muitos tentam, sem interesse, dar uma resposta qualquer como lhes convém, mas porque são indiferentes, não dizem absolutamente nada, uma vez que a resposta exige envolvimento com a pessoa mesma de Jesus. Não é suficiente dizer que Jesus é um dos profetas. Realmente Ele agiu como um profeta, mas sua realidade pessoal é muito maior e só pode ser alcançada pela vivência da fé em comunhão com Ele. 


2. A curiosidade de Herodes não é a mesma de quem está encantado e, por isso mesmo, deseja encontrar aquela pessoa e construir com ela uma profunda amizade. Herodes tem curiosidade por causa do mal que fez a João e talvez queira agora repará-lo, bem como, sendo verdade, caso fosse João ressuscitado, poder escutá-lo novamente. Se bem que Herodes não estava preocupado com temas relacionados à teologia, como é o caso da ressurreição. Talvez seja mais uma desculpa para ter em mãos o que ele mesmo pode entender como um futuro obstáculo para Roma. Não sendo João, Herodes gostaria de ter esse novo homem parecido com João perto dele, fora do contato com o povo, a fim de não estimular as massas. Essa é a situação de quem não quer ser discípulo, mas seguir sua vida do jeito que lhe apraz. Um detalhe importante é frisado por Lc quando coloca nos lábios de Herodes o crime do inocente: “Eu mandei degolar João”. Para Lucas, Herodes é mesmo um assassino, inimigo da verdade e amigo do lado mais forte, do poder e da fama. 


3. Querer ver Jesus pode ser só um sinal de curiosidade ou de eliminação de mais um inocente com ideias transformadoras, animadoras e de esclarecimento sobre a verdade do ser humano. É o caso de Herodes, que, apesar de tudo, manifesta uma expressiva crença na ressurreição, mesmo numa forma puramente histórica. Esse é mais um detalhe focado pelo evangelista. Para quem vive da aliança, querer ver Jesus é encontrar a plenitude para a qual existe. Jesus Cristo é aquele para o qual caminha toda a humanidade, todo o Antigo Testamento, toda a criação, pois por Ele tudo foi feito e é para Ele que tudo existe. Somente por Ele tudo e todos encontraremos a salvação, a glória prometida pelo Pai. O discípulo quer ver Jesus para ficar com Ele, viver com Ele e ser um só com Ele. Jesus não é só um profeta, mas o Senhor da vida daqueles que dEle se aproximam, é o Senhor do discípulo, o Senhor da nossa existência.


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erialdo


Escrito por Pe. José Erinaldo às 07h47
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21/09/2016


Quarta-feira, 21 de setembro de 2016


Mt 9,9-13


1. Jesus viu Levi, isto é, conheceu-o, percebeu sua vida e sua dignidade, enxergou-o no meio de uma sociedade que o desprezava por causa de sua profissão de cobrador de impostos. Jesus enxerga as pessoas e fixa seu olhar nelas, amando-as. O amor não é somente a realidade do Seu ser, mas também Seu instrumento de ação. Por isso não faz acepção de pessoas, não levanta muros, não cria barreiras comunicativas, não se fecha na Sua santidade, mas, pelo contrário, faz do que é condição única de salvação.


2. Jesus chamou Levi, quis consigo um cobrador de impostos, escolheu-o para si, para ser uma das colunas do edifício espiritual: a Igreja. Levi foi escolhido para uma missão savífica jamais pensada por ele. Sem titubear, ergueu-se imediamtente. Prestar bem atenção ao advérbio “imendiatemente”, que indica aqui entrega imediata de sua vida, abdicando de tudo para viver exclusivamente com Jesus. Não deixou para depois, não quis remoer o convite, não foi diretos aos pais para contar a novidade, não procurou amigos para isso. Simplesmente, respondeu sim. 


3. Jesus oficializa essa aliança com Mateus, estando com ele à mesa, numa refeição. Nesse momento, Jesus abre as portas de sua casa para outros publicamos e pecadores, dando-lhes a alegria de participarem do Reino de Deus. Nessa refeição, Jesus demonstra aos próprios pecadores o quanto eles são importantes. O fato é que Jesus vê a pessoa, põe em relevo o ser alguém, filho de Deus e que, mediante uma ação salvífica, plena de amor, lança as redes. Deveria ser essa a forma continuada de missão para toda a Igreja. Antes de tudo, tendo consciência de realidade de Corpo de Cristo, pertencente a Deus e, por isso mesmo, ser instrumento do amor, da verdade e da vida para o bem de todos. 


4. Assim sendo, não pode ser outra a ação da Igreja senão fundamentada no amor. No ato do encontro com o pecador, o missionário não deve apontar os erros do outro nem fazê-lo sentir-se no infermo, mas deixá-lo livre na descoberta de Deus através de uma missão baseada no amor de Deus. Que o outro veja a forma amorosa de sua ação missionária, e não um acusador hipócrita. Jesus ensina aos seus discípulos como devem proceder na sociedade. Sua missão deve ser a mesma do mestre, levando a mensagem de salvação para os verdadeiramente necessitados: os pecadores, os que se reconhecem como pecadores de fato, e não temerem entrar no mundo deles para ajudá-los.


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo

Escrito por Pe. José Erinaldo às 08h59
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20/09/2016


Terça-feira, 20 de setembro de 2016


Lc 8,19-21


1. Lc está trabalhando com o tema da Palavra de Deus que deve ser vivida acima de tudo. Necessário se faz colocar-se, absolutamente, aberto a essa Palavra como o maior e mais importante tesouro de todos os tempos. A escuta dessa Palavra forma a FAMÍLIA querida por Deus. Somente quem lhe dá atenção pode entender essa "nova forma" de ser família aos pés do Senhor. Não são os laços sanguíneos que indicarão mais o ser família diante de Deus, mas a FÉ em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, o amor, como entrega total de si mesmo, a verdade, como razão absoluta de ser, a vida, como dom maior, e a esperança, como sinal de quem realmente foi transformado e encontrou o Caminho para o abraço do Pai. 


2. Alguns desavisados utilizam esse texto para, de certa forma, denegrir a Virgem Maria, enfatizando que Jesus não valoriza a presença de Sua Mãe e Seus familiares ali. Enganam-se totalmente! Maria foi quem mais acreditou e colocou toda sua vida à disposição da vontade do Pai. Ela, antes de qualquer um ali presente, já era família de Deus pela fé, amor, verdade e esperança. Jesus, naquele momento, segundo a narrativa, não quer focalizar a pessoa de Maria e Seus primos, filhos da outra Maria, mulher de Cléofas, irmã da Virgem (Jo 19,25), mas apontar para a necessidade da ESCUTA sincera da Palavra de Deus. Nesse ponto, Maria é, humanamente falando, o mais eloquente exemplo de quem sabe ouvir, pois foi por causa da ação de Deus mesmo e da resposta dessa MULHER que a SALVAÇÃO entrou na história. 


3. Jesus não tem a visão de quem trata Maria como uma mulher qualquer, mas a visão de quem pensou na mulher que seria Sua Mãe, chamou-a e a escolheu como Sua "encantadora", pelo que significa o próprio nome "MARIA", de origem egípcia MRT, no hebraico "MIRIAM ou MARIAM". Aquela que a Sagrada Escritura mesma se encarrega de chamar "toda plena da graça = kecharitomene" (Lc 1,28), a "Mãe do meu Senhor" (Lc 1,43), "a Virgem" (Lc 1,27), aquela que engrandece o Senhor (Lc 1,46). Então, Jesus não prescinde de Maria, pelo contrário, deseja que todos sejam capazes de crer como crer Sua Mãe, que além de sua principal vocação, a de ser MÃE, tornou-se também discípula.


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo 

Escrito por Pe. José Erinaldo às 07h30
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19/09/2016


Segunda-feira, 19 de setembro de 2016


Lc 8,16-18; Mc 4,21-25; Mt 5,15


1. A Palavra de Deus é fonte de luz para todos os que ingressam na comunidade dos filhos de Deus. Ela é Luz, é revelação do Reino de Deus, que está no mundo para iluminar a todos, mostrando a verdade sobre Deus, sobre o homem mesmo e sobre toda a criação. Não se pode tomar posse dessa luz, colocando-a à disposição de um grupo segundo seus interesses. A natureza da luz se encontra na sua propagação não no seu enclausuramento. Aqui se entende o que Jesus ordenou: "Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda criatura", uma vez que cada discípulo é "luz do mundo". 


2. A Palavra de Deus exige profundidade de reflexão e de escuta. Quanto mais se reflete e escuta a Palavra, mais clareza se encontra, mais iluminação se recebe. A Palavra não é letra morta, mas ação contínua de Deus na história humana, a fim de que esta seja totalmente iluminada e se torne, por sua vez, iluminadora. É necessário, pois, para uma maior compreensão, dar mais atenção à Palavra, escutá-la de coração aberto à ação do Espírito de Deus, estar totalmente voltado para o Senhor. 


3. Se é verdade, segundo o provérbio oriental: o rico se torna sempre mais rico, e o pobre sempre mais pobre, então quanto mais houver adesão à escuta da Palavra, mais atenção ao que Deus quer falar, certamente mais eficiente será a compreensão e desejo de praticar o que pede a Palavra. O caso contrário é que quanto mais distante da Palavra, quando mais se fechar o ouvido à escuta do que Deus deseja falar, mais incompreensível se tornará a Palavra na mente humana.


4. A doutrina de Cristo é de natureza universal, deve ser transmitida a todos, a fim de que a humanidade se torne participante da mesma salvação. Cabe ao discípulo ou discípula aderir profundamente à Palavra da salvação, meditá-la sempre, refleti-la em cada detalhe, interiorizá-la e decidir cumprir o que ela pede. Dessa forma, com alegria, cada um se tornará aquilo que a Palavra expressa: luz. O mundo necessita da revelação dos filhos de Deus. Para o entendimento e transmissão do Reino de Deus, o homem necessita aprofundá-lo em sua alma, a fim de se tornar luz na Luz. Aquilo que em segredo ele aprendeu tem como obrigação amorosa transmitir abertamente a todos. 


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo


Escrito por Pe. José Erinaldo às 09h59
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17/09/2016


XXV Domingo do Tempo Comum, 18 de setembro de 2016


Lc 16,1-13


1. “Um homem rico”, alguém sem nome, uma indicação do Senhor. Depois, um o “administrador”, também sem nome, uma indicação de quem mostra incompetência na administração dos bens do seu senhor, mas que não quer largar as “facilidades” da vida, alguém irresponsável, mas que é utilizado aqui, por Jesus, como alguém que tem algo a ser imitado. O que seria? Sua esperteza! Nos seus negócios, aqueles que a ele se assemelham são muito criativos, espertos e contundentes. 


2. Jesus tece um elogio. Certamente, Jesus não quer valorizar a ação do administrador, mas mostrar a Seus discípulos a necessidade de serem altamente criativos e espertos na forma de se fazer o bem, tendo em mente o mais importante objetivo: a comunhão com Deus, isto é, a salvação. É interessante observar que o administrador tira o que é devido ao seu patrão (o lucro) e também o seu próprio ganho. Em outras palavras, para ele atingir seu objetivo necessita fazer algumas importantes manobas e renúncias. Em se tratando dos discípulos, não é diferente em parte: é necessário renunciar a si mesmo, prescindir de tudo aquilo que só traz embaraço na intimidade com Deus, na continua busca de realização. Por outro lado, invés de eliminar o lucro devido ao patrão, deve torná-lo sempre mais evidente. Em se tratando de Deus, quanto mais se usa da “esperteza evangelizadora”, mais se conquista para Deus e para si no Reino dos Céus.


3. Os discípulos, mediante a prática do bem, estão ganhando intercessores, amigos, irmãos, pessoas que a todo momento tomarão uma decisão a favor de quem lhes faz o bem. O exercício do bem é praticado por todas as criaturas e deveria ser muito mais eficiente e consciente na pessoa humana, mas, por motivos próprios, a humanidade abraça uma estrada de egoismo e individualismo, separação e desonestidade. Além de se tornarem inimigos de si mesmos, homens e mulheres apegados ao mundo, isto é, à idolatria do dinheiro, ainda mais aumentam o abismo da indiferença para com o outro.


4. É importante ser “esperto” para Deus. É necessário está atento a tudo aquilo que poder criar um bloqueio à fé, ao amor e à esperança; a tudo que permite uma mudança de direção contrária à vontade de Deus; a tudo que distancia o homem da verdade de si mesmo diante do Senhor. É urgente agir sempre com a lógica do Cordeiro, aquela que desafia o mundo, que permite ao discípulo ser um verdadeiro dom para a vida do outro. Jesus pede aos seus discípulos fidelidade, confiança e desapego. Toda a vida de um fiel é voltada para o Senhor. Deus deve ser o encanto dos seus, suas obras são maravilhosas, sua presença é libertação. Somente com Deus, o fiel discípulo pode viver na liberdade dos filhos de Deus.


5. O dinheiro deve ser usado para a prática do bem. Para isso, é necessário que o discípulo não o tenha como seu interesse, pois é Deus mesmo sua riqueza, mas como meio de ajuda aos necessitados. O coração do discípulo pertence ao Senhor. Na verdade, o discípulo não é preso a nada no mundo, pois só é possível ser discípulo na liberdade diante de tudo o que o mundo oferece. Não deve o discípulo proceder à semelhança dos fariseus, que amam o dinheiro e que, de certo modo, o adoram. Neste caso, "mamona" se tornou um ídolo, um adversário de Deus. O que Jesus pede agora é uma adesão total a Deus e abandono ao ídolo, mas não os dois ao mesmo tempo. Esse dinheiro pode ser trazido para os tempos atuais no mesmo sentido da vida dos fariseus: gostavam das honras, de serem louvados em praças públicas, de sentarem nos primeiros lugares, enfim, amavam os louvores do mundo. Revestiam-se com a máscara da santidade para poder viver o luxo e os apegos mundanos. Nesse armadilha um discípulo deve evitar cair. Jamais um seguidor de Jesus Cristo deve querer os louvores e aplausos do mundo, pois o seu tesouro e sua exaltação se encontram em Deus. Cristo foi jogado na cruz, não louvado pelos homens. O dinheiro em si não pode nada, mas nas mãos de quem ainda não se converteu é um perigo tremendo, gera desordens e faz escravos. 


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo


Escrito por Pe. José Erinaldo às 15h57
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16/09/2016


Sexta-feira, 16 de setembro de 2016


Lc 8,1-3


1. Nesses três versículos, Lc mostra a atividade missionária de Jesus de um modo todo particular. Além da companhia dos apóstolos, havia também algumas mulheres: Maria Madalena, Joana, Suzana e muitas outras. Sobre Maria Madalena, o texto diz que houve um profunda libertação do mal, pois dela saíram sete demônios, isto é, toda potência do mal (7 - indica número pleno). Ela foi totalmente transformada pela POTÊNCIA de Deus. Joana, por sua vez, "mulher de Cuza, procurador de Herodes, o que nos diz de gente de Herodes encantado com Jesus. Também Suzana e todas as demais. 


2. Em suma, Jesus tinha discípulos e discípulas. Os discípulos são fruto da iniciativa, do chamado, da escolha e da vocação, que parte do Mestre; as discípulas, por sua vez, são acolhidas, entram no universo da compaixão e da misericórdia, conforme o texto acima, e ainda começam a fazer parte dessa nova postura de Jesus no relacionamento com mulheres, tornando-as participantes do ministério evangelizador, ajudando com suas posses. 


3. Na Sua missão, Jesus tem como objetivo estabelecer o Reino de Deus nos corações, elevar o ser humano à dignidade de filhos de Deus e plenificar em todos a condição de Imagem e semelhança, tornando-os participantes de Sua vida. Desse Reino deve fazer parte todo aquele que for capaz de renunciar a mentalidade do mundo e abraçar, para sempre, a lógica do Cordeiro. 


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo 

Escrito por Pe. José Erinaldo às 08h36
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15/09/2016


Quinta-feira, 15 de setembro de 2016


Jo 19,25-27


1. O texto acima tem ligação com Jo 2,1-1, Gn 3,15 e Is 60,4; 66,7-8. Aos pés da cruz, estando Maria, a MULHER e o DISCÍPULO AMADO, além das outras mulheres, tem-se uma importante cena histórico-teológica de uma imensa profundidade. Antes de tudo, aparece uma irmã da mãe de Jesus, também chamada Maria, mulher de Cléofas. Ela é certamente a mãe dos ditos "irmãos de Jesus". Com essa cena percebemos não somente um dado de piedade, até porque não é esse o objetivo do evangelista em descrever a cena. Mais do que isso, antes de tudo, tem-se a iniciativa de Jesus diante de duas figuras representativas da Igreja: Maria, Sua mãe, e o discípulo amado. Maria, chamada MULHER, tendo-se em mente Gn 3,15 e Jo 2,1-11. É a mulher da qual vem a DESCENDÊNCIA salvífica, a SEMENTE, que está na cruz, Jesus Cristo; a mulher que, ainda não sendo a hora, apressa a ação do Salvador, nas Bodas de Caná. 


2. A essa MULHER por excelência, Jesus concede uma nova missão, a de ser a MÃE da Igreja, a mãe de todos os Seus discípulos, ali representados no discípulo amado, que leva essa NOVA MÃE para sua casa. Trata-se de um momento de parto, pois na dor do mistério que envolve a cruz, Maria torna-se mãe da Igreja. Ela é a mulher vitoriosa (contrário de Eva) pela vitória do filho; é a mulher mãe de uma nova humanidade na ordem da graça (também contrária à ordem do pecado a partir de Eva); é o sinal dos novos tempos; é sinal da família querida por Deus. 


3. Maria recebe uma “espada” de dor. Aos pés da cruz, é toda ela compaixão verdadeira, profunda e admirável. Ali, ela se encontra duplamente dolorida: sofre por Jesus, com Ele e por causa de uma humanidade tão desumana, tão incapaz de perceber o Salvador, o Amigo, o Irmão, o Verdadeiro Deus que veio à história, viveu no meio dos homens, falou-lhes do Reino, curou suas feridas, deu-lhes um horizonte, o mais sublime sentido de vida, a mais elevada e autêntica condição de humanização, e agora, na cruz, sofre como se animais O tivessem crucificado. De qualquer modo, a paixão de Cristo revela a maldade humana e a bondade de Deus, o ódio de quem vive a lógica do mundo e o amor do Deus Salvador, apaixonado pela Sua criatura. Além disso, a paixão de Jesus é, também, participação na dor de uma humanidade fragilizada, sem rumo, rasteira no pensamento e na fé; uma humanidade que não sabe o que faz, segundo o próprio Jesus. Pois bem, a paixão do filho certamente esteve fortemente impresso no coração de Sua mãe, que DELE não se afastou de forma alguma até o último momento. Sofrendo, não abandonou o filho na cruz e, com os mesmos sentimentos DELE, colocou-se absolutamente à disposição da vontade de Deus.


Um forte e carinhoso abraço


 

Pe. José Erinaldo


Escrito por Pe. José Erinaldo às 09h24
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14/09/2016


Quarta-feira, 14 de setembro de 2016


Jo 3,13-17


1. Jesus oferece a Nicodemos a condição de uma escolha. Sem forçá-lo a nada, Jesus propõe o alcance da realização da Lei de Deus. Em sua vida, ensinamentos e milagres, Jesus mostrou-lhe algo especial: a presença de Deus. De fato, Jesus veio do Alto, veio do Pai, conhece o Pai e Sua vontade. Duas coisas importantes exigidas por Jesus: conhecer e ver de fato. Ele próprio conhece a Deus e DELE dá testemunho. Isso significa ser verdadeiro. Quem é o mestre senão aquele que conhece realmente e que viu, podendo testemunhar em si mesmo o que por ele foi visto. Assim é Jesus, assim devem ser Seus discípulos. Além disso, Jesus apresenta-se a Nicodemos como o ser celestial de Dn 7,13, Ele é o Filho do Homem, vencedor da morte, do pecado e do mal; Ele é a chave de interpretação da Lei de Deus, por ser, realmente, a Palavra única e última do Pai. Então, Nicodemos, que representa toda a tradição judaica, escolherá entre permanecer na promessa ou definitivamente abraçar a fé em Jesus Cristo.


2. "Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que NELE crer, mas tenha a vida eterna". A criação é obra do amor de Deus e existe para Deus mesmo. Tudo foi criado pelo amor e para o amor, para a comunhão eterna. Apesar de ser fruto do amor, o homem disse não à vida com Deus, optando por si mesmo. Largou o Criador e abraçou a criatura, tornou-se idólatra. Deus não abandonou sua criatura. Por amor, o Pai entregou Seu Filho Unigênito, o Seu Amado, permitindo-Lhe a morte, a fim de que não morra aquele que NELE crê, aquele que pecou, que tornou-se digno de morte. Por meio de Jesus Cristo, o Pai dá ao homem a possibilidade de uma vida nova, a vida eterna, para a qual foi feito. 


3. Jesus foi ferido na cruz por causa do pecado, da ingratidão e da indiferença do homem. Tal ferida se tornou fonte tanto de um transbordamento de amor quanto de uma nova criação. No deserto, a serpente foi posta no madeiro como sinal de libertação para aquele povo de cabeça dura, infiel, dado à idolatria. Agora, é o próprio Filho de Deus, pregado na cruz, como um maldito, totalmente obediente à vontade do Pai, plenamente consciente de Sua entrega pela salvação do ser humano. Na cruz se vê a loucura de um Deus apaixonado, que faz de Sua vida um dom de amor, verdade e vida. Jesus não foge do escândalo da cruz, porque sabe de sua importância no projeto para uma humanidade restaurada. 


4. "Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para condenar o mundo". A condenação não é uma punição de Deus, mas uma conseqüência para aquele que não se voltar para o seu Criador, que não fizer uma opção radical por Deus, que colocar sua vida acima de tudo, que valorizar mais os seus interesses do que a vontade de Deus, que se tornou idólatra. Aquele que aderir a Jesus Cristo, pondo sua vida à disposição do bem maior para si e para todos conquistará a vida eterna. "Quem não crê será condenado". Então, a fé é essencial e decisiva no julgamento. Cabe ao homem acolhê-la como dom de Deus ou, ao contrário, rejeitá-la.


Um forte e carinhoso abraço.


 

Pe. José Erinaldo


Escrito por Pe. José Erinaldo às 09h03
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